Vídeo proposto por Marcelo mostra uma Alemanha pouco solidária
11.11.2012 -
Por Cláudia Carvalho, IN PÚBLICO
Imagem do vídeo (DR)
Se as autoridades alemãs tivessem
autorizado a exibição pública do vídeo idealizado por Marcelo Rebelo de
Sousa e realizado pelo social-democrata Rodrigo Moita de Deus teriam
dado aos alemães a oportunidade de conhecer um Portugal para além dos
números e da dívida externa. A nega alemã, que não terá gostado do
retrato do seu país pouco solidário, não foi um impedimento para que o
proposto por Marcelo vídeo caísse no YouTube.
A
ideia era que o filme, que tem como nome “Eu sou um berlinense” e que
em cinco minutos retrata a realidade portuguesa desde o 25 de Abril,
fosse exibido em locais públicos este fim-de-semana, antes da visita de
Angela Merkel a Portugal. A proposta foi rejeitada mas agora no YouTube
foi publicado em três versões (português, inglês e alemão) para que
todos o possam ver. As visualizações, comentários e partilhas nas redes
sociais já se multiplicam.
De forma a mostrar aos alemães que
Portugal é um país com um povo empenhado, o vídeo começa por lembrar as
conquistas do pós-25 de Abril como a diminuição da taxa de
analfabetismo, a diminuição da taxa da mortalidade infantil, o aumento
da escolaridade obrigatória ou o aumento da esperança média de vida.
E
logo a seguir são referenciadas as relações com a Alemanha. “Temos um
dos melhores parques automóveis da Europa, do qual 41,3% é alemão.
Instalamos uma das maiores redes de abastecimento de carros eléctricos
da europa fornecidas por uma empresa alemã mas ainda estamos à espera
que a Alemanha nos venda os carros eléctricos”, diz-se no vídeo. E vai
mais longe: “Gastámos mil milhões de euros em dois submarinos de última
geração… Submarinos alemães”.
E para concluir a relação entre os
dois países fazem-se as contas às trocas comerciais: “três mil milhões
de euros para a Alemanha”. Mesmo assim, reforça o vídeo, foram cortados
em Portugal ordenados, pensões, prestações socias, organismos públicos, e
subiram-se os preços, a idade de reforma, os transportes públicos e
“tudo o que mexe”.
E ainda se trabalha mais por cá, garante o
vídeo. Ou seja, os portugueses trabalham mais horas, têm menos dias de
férias e menos feriados e ganham em média metade do que ganham os
alemães. “Mas eles devem saber que trabalhamos”, diz-se no vídeo, que
lembra os 150 mil portugueses que vivem na Alemanha.
Passando uma
mensagem clara da falta de solidariedade dos alemães. O vídeo termina
lembrando que em 1990 a “Alemanha declarou que a sua antiga divida
externa tinha caducado” e “os portugueses não contestaram”. “Em 2005, a
Alemanha infringiu os limites do défice e a União Europeia perdoou-lhe
as sanções. Os portugueses não só não contestaram como apoiaram a
decisão”. Porquê? Por saber que não “era justo pedir ao povo alemão que
trabalhasse ainda mais, pagasse ainda mais impostos”.
Conclusão: “Na Europa os muros de Berlim acabaram em 1989."
Foi
entretanto anunciado que o vídeo será exibido esta segunda-feira nos
painéis do Turismo de Lisboa, acompanhando a visita da chanceler alemã,
Angela Merkel, à cidade.